
me desmaterializem.
Quero ser a voz do vento,
o canto no silêncio da noite,
o reflexo numa gota de orvalho,
o sonho quando dormes,
o sorriso do tempo.
Quero ser matéria sem matéria,
grão de areia sem praia,
choro sem lágrimas,
Sol sem Lua,
estrela sem Mar.
Lentamente,
afogo-me sem água numa execrável existência,
as palavras pesam de tal forma que me arrastam para o fundo.
No final,
espero encontrar-te
ou talvez desvanecer como as letras que escrevi.
27-04-08
(Sérgio Minhós)